Boas vindas à Baixada do Glicério Viva!
A iniciativa
contempla atividades no âmbito da educação patrimonial e ambiental, pesquisas,
manutenção da memória e valorização do território, a partir de diversas ações.
A Baixada do
Glicério, o fundão da cidade colonial, foi uma possibilidade de fuga, um dos
primeiros pontos de aquilombamento de pessoas escravizadas em São Paulo.
Concentrou um grande contingente da população negra, socialmente marginalizada,
desde meados do século XIX. Era uma área alagadiça, de várzea, e de pouco
interesse de moradia para a população mais abastada. Isso permitiu, de alguma
maneira, que essas pessoas existissem com suas escolas de samba, terreiros,
times de futebol e salões de baile. O cotidiano era repleto de batuques,
coreografias, samba de umbigada, tambu, jongo, tiririca e sistemas cosmológicos
relacionados à natureza, tais como os rios, ribeirões, igarapés, lagos, árvores
sagradas e encruzilhadas.
Os fundos da
igreja da Sé, atual bairro da Liberdade, aparecem nos mapas do final do
século XIX como zona de extermínio da população preta e indígena. Em quase dois
quarteirões, a vila de Piratininga, pretensa cidade de São Paulo, reuniu vários
equipamentos públicos de controle de corpos: a cadeia pública, hoje Fórum João
Mendes, o Pelourinho, espaço de tortura e suplício, a forca, o cemitério, o
galpão de pólvora, o asilo de mendicância e a roda dos enjeitados.
Há pontos
importantes da territorialidade negra e indígena nessa região, como os quilombos
urbanos, o Peabiru, as cinco esquinas, a Iroko árvore sagrada, a fonte de água
viva do ribeirão Lavapés no sítio Tapanhoim, local onde Tebas morou, as
encruzilhadas de Exu e Pomba Gira, o mirante Morro do Piolho, a sede do Centro
Cultural Palmares, do Paulistano da Glória, da Frente Negra Brasileira - FNB e
da Soweto Organização Negra. Há ainda, personalidades importantes como
Chaguinhas, as lavadeiras do Tamanduateí, as quitandeiras, Preto Badaró, Chico
Mimi, Pai Zarabinda, Baduíra e Chico Gago, os locais de festejos como o bloco
carnavalesco das Baianas Teimosas, os Zuavos, a casa Madrinha Eunice, local de
fundação da escola de Samba Lavapés, o futebol de várzea, espaços religiosos e
os notáveis Cemitério dos Aflitos, a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e a
Igrejinha da Santa Cruz.
Na atualidade, a
Baixada do Glicério/Liberdade é conhecida por reunir povos de vários países.
São aproximadamente 90 nacionalidades, além de formas organizativas diversas,
como o Centro de Estudos de Cultura da Guiné, a União Social dos Imigrantes
Haitianos - USIH, a Ocupação dos
Imigrantes Jean-Jacques Dessalines, a União dos Amigos Capela dos Aflitos - UNAMCA, o Instituto Tebas, o
Museu de Território dos Aflitos - MTA, a Casa Axé Ilê de Oyá, o Batuq do
Glicério, a União dos Cantadores Cordelistas Repentistas e Apologistas do
Nordeste - UCRAN, a Cooperativa de Trabalho e da Coleta Seletiva dos Catadores
da Baixada do Glicério - COOPERGLICÉRIO, o Serviço Franciscano de Apoio à
Reciclagem - RECIFRAN, dentre outras.
Antes de começar
a zanzar pelo território, a leitura
deste guia pode ajudar na localização de alguns pontos de memória e de produção
de conhecimentos. Fique à vontade para escolher o seu caminho!
Saiba mais acessando o @baixadadoglicerioviva
Leia na íntegra, baixe o documento aqui: Guia Baixada do Glicério Viva
créditos
da publicação
organização
Soweto Organização Negra @sowetoorganizacao
História da Disputa @historiadadisputa
Baixada do Glicério Viva @baixadadoglicerioviva
preparação e revisão
Caróu Oliveira, Lina Rosa, Marcelo Lemos, Paulo Rafael, Raquel Martins, Romildo José, Rosseline Tavares e Suelma de Deus
design gráfico
Marcelo Pitel @pitel.arte
apoio
35ª Bienal de São Paulo - coreografias do impossível
realização
Djunta Mon
