segunda-feira, 13 de novembro de 2023

ROTEIRO: Baixada do Glicério Viva

 

Boas vindas à Baixada do Glicério Viva!

A iniciativa contempla atividades no âmbito da educação patrimonial e ambiental, pesquisas, manutenção da memória e valorização do território, a partir de diversas ações.

A Baixada do Glicério, o fundão da cidade colonial, foi uma possibilidade de fuga, um dos primeiros pontos de aquilombamento de pessoas escravizadas em São Paulo. Concentrou um grande contingente da população negra, socialmente marginalizada, desde meados do século XIX. Era uma área alagadiça, de várzea, e de pouco interesse de moradia para a população mais abastada. Isso permitiu, de alguma maneira, que essas pessoas existissem com suas escolas de samba, terreiros, times de futebol e salões de baile. O cotidiano era repleto de batuques, coreografias, samba de umbigada, tambu, jongo, tiririca e sistemas cosmológicos relacionados à natureza, tais como os rios, ribeirões, igarapés, lagos, árvores sagradas e encruzilhadas.

Os fundos da igreja da Sé, atual bairro da Liberdade, aparecem nos mapas do final do século XIX como zona de extermínio da população preta e indígena. Em quase dois quarteirões, a vila de Piratininga, pretensa cidade de São Paulo, reuniu vários equipamentos públicos de controle de corpos: a cadeia pública, hoje Fórum João Mendes, o Pelourinho, espaço de tortura e suplício, a forca, o cemitério, o galpão de pólvora, o asilo de mendicância e a roda dos enjeitados.

Há pontos importantes da territorialidade negra e indígena nessa região, como os quilombos urbanos, o Peabiru, as cinco esquinas, a Iroko árvore sagrada, a fonte de água viva do ribeirão Lavapés no sítio Tapanhoim, local onde Tebas morou, as encruzilhadas de Exu e Pomba Gira, o mirante Morro do Piolho, a sede do Centro Cultural Palmares, do Paulistano da Glória, da Frente Negra Brasileira - FNB e da Soweto Organização Negra. Há ainda, personalidades importantes como Chaguinhas, as lavadeiras do Tamanduateí, as quitandeiras, Preto Badaró, Chico Mimi, Pai Zarabinda, Baduíra e Chico Gago, os locais de festejos como o bloco carnavalesco das Baianas Teimosas, os Zuavos, a casa Madrinha Eunice, local de fundação da escola de Samba Lavapés, o futebol de várzea, espaços religiosos e os notáveis Cemitério dos Aflitos, a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos e a Igrejinha da Santa Cruz.

Na atualidade, a Baixada do Glicério/Liberdade é conhecida por reunir povos de vários países. São aproximadamente 90 nacionalidades, além de formas organizativas diversas, como o Centro de Estudos de Cultura da Guiné, a União Social dos Imigrantes Haitianos - USIH, a Ocupação dos Imigrantes Jean-Jacques Dessalines, a União dos Amigos Capela dos Aflitos - UNAMCA, o Instituto Tebas, o Museu de Território dos Aflitos - MTA, a Casa Axé Ilê de Oyá, o Batuq do Glicério, a União dos Cantadores Cordelistas Repentistas e Apologistas do Nordeste - UCRAN, a Cooperativa de Trabalho e da Coleta Seletiva dos Catadores da Baixada do Glicério - COOPERGLICÉRIO, o Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem - RECIFRAN, dentre outras. 

Antes de começar a zanzar pelo território,  a leitura deste guia pode ajudar na localização de alguns pontos de memória e de produção de conhecimentos. Fique à vontade para escolher o seu caminho!

Saiba mais acessando o @baixadadoglicerioviva

Leia na íntegra, baixe o documento aqui: Guia Baixada do Glicério Viva

créditos da publicação

organização

Soweto Organização Negra @sowetoorganizacao

História da Disputa @historiadadisputa

Baixada do Glicério Viva @baixadadoglicerioviva

preparação e revisão

Caróu Oliveira, Lina Rosa, Marcelo Lemos, Paulo Rafael, Raquel Martins, Romildo José, Rosseline Tavares e Suelma de Deus

design gráfico

Marcelo Pitel @pitel.arte

apoio

35ª Bienal de São Paulo - coreografias do impossível

realização

Djunta Mon


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